"Na Via Láctea temos 1,1 bilhão de planetas aptos ao surgimento da vida!". Fato científico ou ‘fake science’?

16/11/2018

O estudo¹ intitulado "Prevalência de planetas do tamanho da Terra orbitando estrelas semelhantes ao Sol", publicado a 04 de novembro de 2013, e que foi conduzido por Erik Petigura, Andrew Howard, e o célebre "caçador de planetas" da Universidade da Califórnia em Berkeley, Geoffrey Marcy, confirma o número do enunciado.
A conclusão do estudo, que utilizou dados do satélite Kepler para estimar a porcentagem de planetas de tamanho similar ao terrestre ao redor de astros parecidos com o sol, apresentou que, 22% das estrelas similares ao Sol têm ao menos um mundo rochoso numa região propícia à existência da vida. Em síntese, uma Terra a cada cinco sóis.
Contudo, o trio de cientistas investigou somente as estrelas dos tipos "G" e "K" (o nosso Sol é uma estrela tipo G), ou seja, aquelas que têm entre metade e uma vez a massa do Sol. As "G" e "K" correspondem a 20% de todas as estrelas da Via Láctea.
Sabemos que nossa galáxia tem 110.000 anos-luz de diâmetro e, "chutando baixo", 100 bilhões de estrelas (esse número pode ser quatro vezes maior, contudo, os cientistas foram conservadores desde o início deste estudo). Então, temos 20 bilhões de estrelas tipo G e K (20% de 100 bilhões de estrelas). O estudo apontou que 22% delas têm um mundo potencialmente habitável, estamos falando de 4,4 bilhões de planetas aptos ao surgimento da vida. Porém, os cientistas foram ainda mais exigentes: excluíram os planetas que não apresentaram órbitas similares a um ano terrestre, ou seja, entre 200 e 400 dias. Na hipótese mais conservadora temos que 5,7% dos sóis têm planetas habitáveis, ou seja, 1,1 bilhão de planetas gêmeos à Terra.
Vale ressaltar que os cientistas deixaram de fora as estrelas anãs vermelhas (tipo M), que são menores e mais comuns que as G e K e, em tese, também podem abrigar mundos habitáveis. As anãs vermelhas correspondem a 76% de todas as estrelas da Via Láctea.
Portanto, nas circunstâncias exigidas pelos cientistas, é fato o número!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PETIGURA, E.A., HOWARD, A.H., MARCY, G.W. "Prevalence of Earth-size planets orbiting Sun-like stars". PNAS, vol. 110, no. 48, pp. 19273-19278. (2013). Disponível em < https://www.pnas.org/.../.../early/2013/10/31/1319909110.full.pdf >.

NOGUEIRA, Salvador. Uma introdução às novas Terras. In: NOGUEIRA, Salvador. Extraterrestres: Onde eles estão e como a ciência tenta encontrá-los. 1. ed. São Paulo: Abril, 2014. Prefácio, p. 15-19.

SAGAN, Carl. Pálido Ponto Azul. Companhia das Letras. Brasil, 1996